quinta-feira, 24 de novembro de 2011



EDUCAÇÃO DE FILHOS E A PREVENÇÃO DE PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO

Por que há dúvidas quanto à educação de filhos? De acordo com Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002) existem muitas dúvidas quanto a esse assunto devido a uma crise iniciada na década de 70, quando o modelo repressor de educação dos filhos foi bastante criticado e começou a dar lugar à era da permissividade.  Diante desse fato, a falta de limites passou a ser comum nas famílias, o que gerou uma verdadeira confusão na vida de muitos pais.
Ainda de acordo com os autores acima, esse novo movimento trouxe prejuízos que vão desde a dificuldade de gerenciar o comportamento das crianças em sala de aula até a delinqüência juvenil.
Diante isso, é notória a exigência de um equilíbrio entre os dois modelos (repressor e permissivo) a fim de que a sociedade possa se desenvolver de forma saudável. Face a essas considerações, surge a indagação: como educar os filhos? Primeiro passo: Conhecer como o comportamento humano, segundo, desenvolver habilidades para incentivar os comportamentos adequados e extinguir os inadequados.

O QUE INFLUENCIA O COMPORTAMENTO DE SEU FILHO?
         
O ambiente interfere significativamente na forma como as pessoas se comportam. No contexto em questão, ele não é apenas o local onde vivemos, com plantações, água, etc., mas, conforme Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002) ambiente é qualquer evento no universo capaz de afetar o indivíduo. Ou seja, o próprio corpo, a família, a comunidade, o lugar em que se vive, o trabalho, etc.
Esse conhecimento é fundamental para compreensão de como o comportamento funciona. Muitas vezes nos deparamos com pessoas mal humoradas e dizemos: “Ah, fulano está assim porque não tomou café hoje”. Ou podemos dizer: “Você não viveu metade do sofrimento que eu já passei e só vive reclamando!”
         Nessas frases temos exemplos de ambientes: o comentário a respeito da pessoa que não se alimentou a ausência do café, a nossa experiência vivida. Tudo isso de alguma forma pode alterar a maneira de sentir, pensar, agir, falar, ou seja, altera o comportamento.



TIPOS DE COMPORTAMENTO HUMANO

Respondente: reação imediata e involuntária a um estímulo do ambiente, segundo Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002); Exemplo: espirro após aspirar um pouco de poeira. Operante: conforme Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002), é a atuação de uma pessoa sobre o meio, modificando-o.
É voluntário. É adquirido e mantido por meio da conseqüência que produz.  Exemplo: Leitura de um livro. Só poderemos ler se tivermos adquirido habilidade para isso anteriormente. Para que continuemos a ler é necessário que essa atitude nos traga benefícios que atendam à nossa necessidade no momento.
Esses benefícios podem ser elogios, compreensão do rótulo de produtos em um supermercado durante uma compra, etc. Ou seja, essas conseqüências podem aumentar a probabilidade de que uma pessoa volte a ler. Diante dessas descrições é possível compreender que as circunstâncias que ocorrem antes e depois de um comportamento podem alterá-lo de maneira significativa, o que exige bastante cuidado quanto às atitudes que tomamos frente aos mesmos.

 
MÉTODOS CORRETIVOS DE UM COMPORTAMENTO

Segundo Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002).  Punição é Procedimento no qual uma conseqüência ruim é apresentada após determinado comportamento, fazendo com que este desapareça ou diminua de freqüência. Ela pode ocorrer de duas formas. Após o comportamento desagradável, acrescenta-se, imediatamente, algo ruim. Exemplo: após um mau comportamento a criança recebe uma “surra”.
Após o comportamento desagradável, retira-se, imediatamente, algo de bom para a pessoa. Exemplo: Um adulto retira um brinquedo da criança após um comportamento desagradável dela. O uso da punição pode parecer bastante útil, mas há muitas razões que sugerem que esta seja utilizada com cautela e, se possível, evitada:
Geralmente só funciona na presença do punidor. Deve ser aplicada imediatamente após a atitude indesejada. Seu uso muito freqüente e indeterminado pode anular o seu efeito. Por ter efeito imediato (o comportamento indesejado é instantaneamente paralisado), aumenta a chance de o punidor continuar punindo cada vez mais a criança;
Funciona como modelo de agressão às pessoas. Se ela for suave, o comportamento tende a reaparecer de forma mais rápida. Produz efeitos emocionais indesejáveis – raiva, medo, isolamento. Pode comprometer comportamentos reflexos como: suor frio, palidez, batimentos cardíacos acelerados;
Pode eliminar outros comportamentos que estejam ocorrendo paralelamente ao que está sendo punido. Exemplo: A criança que enquanto brinca com os colegas sempre acaba brigando e recebendo reclamações de adultos pode não só parar de brigar, mas parar de brincar com as outras crianças também.
Pode haver afastamento da criança em relação ao punidor. A punição sozinha não garante que o comportamento adequado apareça. Para que isso ocorra, enquanto se pune um comportamento é necessário reforçar (incentivar) outro comportamento em seu lugar. No entanto, se os pais ainda optarem por utilizar esse método, devem considerar algumas situações, como quando:

a) o comportamento é muito freqüente, em caso afirmativo dificilmente esse método será eficaz
b) existe perigo para a própria criança ou para outras pessoas. Verifique a possibilidade de introduzir esta criança em um ambiente seguro.
c) Eles já tentaram todos os outros procedimentos. Caso seja realmente necessário o uso da punição, é preferível se utilizar da punição tipo II, que traz menos efeitos colaterais que a tipo I. É importante lembrar que existem outros métodos para estabelecer limites aos filhos, conforme pode ser visto adiante.

ALTERNATIVAS QUANDO O FILHO SE COMPORTA MAL
      
   Incentivar comportamentos diferentes daquele que se quer eliminar. Exemplo: se seu filho quer brincar num local que não é adequado, diga que ele não vai pelo motivo que você considera importante, mas se comprometa a brincar com ele. Modificar o ambiente do seu filho. Verifique o que pode estar causando o mau comportamento e procure remover-lo. Retirar a criança da situação agradável – atentar para o que mais ela sentirá falta. Exemplo: Se a criança está impedindo que outras crianças se divirtam, retire-a do local de diversão e leve-a para onde não tenha acesso a brincadeiras. Deixar de recompensar o comportamento inadequado. Exemplo: se a criança está dando língua, ignore, e passe a elogiar outra pessoa que esteja fazendo algo agradável no momento.

EXTINÇÃO DE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS

Consiste em ignorar comportamentos que se deseja eliminar Exige que os pais observem o que acontece antes e depois do comportamento para identificação das condições que favorecem o aparecimento do mesmo;
Exige paciência dos pais, pois, inicialmente, quando um comportamento antes muito reforçado passa a ser ignorado, este aumenta e varia sua forma. Somente depois da ausência prolongada de reforço (incentivo- tudo o que aumenta a chance do comportamento voltar a ocorrer), a atitude desprezada passa a diminuir gradativamente até desaparecer.
Lembre-se que nem toda atitude ruim da criança pode ser ignorada. Por exemplo, em caso de roubo não se concebe a atitude de um pai que permanece inerte como se nada estivesse acontecendo. É necessário dizer ao filho que a atitude está errada, orientar e ordenar que o objeto roubado deve ser devolvido e certificar-se de que seus comandos foram cumpridos.

ORIENTAÇÕES FUNDAMENTAIS

Elogie seu filho, abrace-o, beije-o, imediatamente, quando se comportar de forma adequada, seja um bom exemplo, aceite todos os sentimentos de seu filho comunique-se com seu filho de maneira positiva. Exemplo: “Eu posso imaginar como você está se sentindo”. Promova a auto-estima dele. Elogie as qualidades dele, dê a ele e a si mesmo o direito de errar. Orientação Bíblica. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho não se desviará dele”. Pv 22.   

ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR A CRIANÇA E O ADOLESCENTE A JESUS

Desde a mais tenra idade apresente-lhe os conteúdos bíblicos de forma ilustrada, envolvente, ao nível de conhecimento dele (EBD e outros). Ouça com atenção suas manifestações a respeito da bíblia e regras da Igreja. Seja exemplo do que você quer seu filho aprenda.
Identifique e remova fontes de desmotivação quanto aos trabalhos da Igreja. Procure conversar com os líderes de crianças e adolescentes para verificar o que pode ser feito para tornar as atividades da igreja mais atrativas, facilite a associação entre habilidades de seu filho e atividades da Igreja. Arrisque-se a mudar, pois não existe vida sem erros, pois viver é ser imperfeito, é tirar os ensinamentos trazidos através das quedas, é levantar-se e continuar caminhando.

Kézia Stéfani 




REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. F. Bíblia Sagrada: A Bíblia da Mulher. Ed 2ª, São Paulo. Mundo Cristão e Sociedade Bíblica do Brasil, 2003.
OLIVEIRA, S. C. [et al.]. Compreendendo seu Filho: Uma análise do comportamento da criança. Belém (PA). Paka-Tatu,(2002).



terça-feira, 15 de novembro de 2011


           PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES EM RELAÇÃO ÀS DIFERENÇAS 
RELIGIOSAS DOS ALUNOS NO CONTEXTO ESCOLAR
Religião, de onde procede o termo religioso, segundo  Cury (2004, p.187), vem do verbo latino religare (re-ligare) – grifo do autor. Esse termo, conforme o autor citado, tanto pode ser um novo liame entre um sujeito e um objeto, um sujeito e outro sujeito, como também entre um objeto e outro objeto e, independentemente da natureza da ligação, esse verbo supõe um momento originário sem a dualidade sujeito/objeto ou um elo primário (ligar) – (grifo do autor) - que, uma vez desfeito, admite uma nova ligação.Tendo como base essa conceitualização é possível afirmar que essas três formas de religação – sujeito e objeto, sujeito e sujeito, objeto e objeto – dão origem a crenças diversas que podem ser interpretadas de forma bastante singular, conforme Cury apud Oliveira,  ( 2006, p. 5):

Para uns, a religião é um retorno ampliado a uma comunhão cósmica e telúrica. Para outros, o surgimento da vida, o encantamento com o céu estrelado e com a consciência interior de cada qual inspiram postular a passagem do universo terreno ao universo da transcendência ou, em outros termos,  no encontro do outro com o Outro. Esta passagem – para uns, uma questão de argumento lógico, para outros, um salto na fé – significou o apareciemnto de múltiplas modalidades  de expressar a religação do homem  com o Transcendente. Ao mesmo tempo, tal religação foi a oportunidade para que muitos também expressassem um humanismo  radical no âmbito exclusivo  da terrenalidade e da temporalidade.

Essas distintas representações da religião devem ser consideradas como fator importante nas diferentes relações sociais do ser humano, tendo em vista que, conforme Hugen apud Simões (2006 p. 26), a religião é um fator determinante da conduta das pessoas.
Tendo em vista as peculiaridades concernentes aos credos existentes na atualidade, é relevante afirmar que o encontro com tal diversidade muitas vezes não tem sido harmônico entre os indivíduos que os professam, tornando assim, cada vez mais significativa a reivindicação do respeito a essas diferenças na sociedade, conforme enfatiza Candau  (2006, p. 2):

[...]O que é novo, hoje, é a ascenção de políticas de identidade. Em contextos muito diferentes e de modos muito diversos – desde os povos indígenas da América Latina às minorias religiosas  na Ásia do Sul e às minorias étnicas nos bálcãns e em África, até aos imigrantes na Europa Ocidental – as pessoas estão se mobilizando de novo em torno das velhas injustiças segundo linhas étnicas, religiosas, raciais e culturais, exigindo que sua identidade seja reconhecida, apreciada e aceita  pela sociedade mais ampla. Sofrendo de discriminação e marginalização em relação a oportunidades sociais, econômicas e políticas, também exigem justiça social.

Numa sociedade que se diz plural, abarcando em espaços geográficos muito próximos pessoas de diversas culturas, não deveriam existir preconceitos em relação a essas divergêcias, entretanto, ao que parece, a maioria das pessoas não está preparada para reconhecer o diferente e aceitá-lo como tal, como afirma Falcke (2000, p. 10): “Na verdade, parece que se rejeita o que foge ao padrão esperado socialmente ou às determinações do grupo em que se convive”. Tal rejeição foge aos princípios estabelecidos há muitos anos pela Constituição Federal de 1988, a qual afirma em seu artigo 50  os seguintes incisos:


VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma de lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir perstação alternativa, fixada em lei.


Apesar da lei acima exposta e de muitas outras mobilizações que já surgiram em prol da valorização dos direitos dos indivíduos culturalmente excluídos, ainda é evidente a necessidade de ampliar medidas contra o preconceito em relação às diferenças aqui mencionadas.
Uma dessas medidas pode ser a dedicação das instituições formadoras do ser humano – família, escola, etc –  às discussões e às construções de práticas que viabilizem esse processo de respeito a todos os indivíduos, independentemente de manifestações culturais e religiosas divergentes.
A relevância dessas ações pode ser compreendida através da afirmação de Eder  (2006, p. 9): “quando ocorre uma colisão entre reivindicações de identidades pode se imaginar idealmente dois resultados: reconhecimento recíproco ou mútua aniquilação.” Ou seja, caso não haja uma igualdade de direitos entre os diferentes, a humanidade caminhará para a destruição de si mesma

A FORMAÇÃO RELIGIOSA DO INDIVÍDUO
E A IMPORTÂNCIA DO MEIO SOCIAL

É comum afirmar que o ser humano é um ser cultural. No entanto, essa formação cultural depende de uma ampla gama de relações sociais que o indivíduo estabelece com o meio em que vive. Na compreensão de  Ferreira (2006, p.280), a cultura corresponde ao complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade.
Tal conceito permite uma reflexão a respeito da relevância do convívio social para o desenvolvimento dos mais variados comportamentos de um indivíduo,  conforme o relato de Skinner (2003, p. 451):
O que o homem come e bebe, e como o faz, os tipos de comportamento sexual em que se empenha, como constrói uma casa, ou desenha um quadro, rema um barco, os assuntos sobre os quais fala ou cala, a música que compõe, os tipos de relações pessoais que tem e os tipos que evita – tudo depende em parte dos procedimentos do grupo de que é membro.

Essa afirmação denuncia que muitas das características que definem um indivíduo não podem ser consideradas isoladas do contexto sócio-cultural ao qual ele esteve e ainda está sendo sujeito.  Vygotsky, apud Oliveira, M. K. (1955, p. 37) também concorda com a interferência do meio social na formação do indivíduo quando diz que os grupos culturais nos quais as crianças crescem e se desenvolvem produzem adultos que, por sua vez, também irão atuar em conformidade com os modelos culturais que apreenderam.
Diante dessas afirmativas, pode-se avaliar como é incalculável a dimensão dessa influência social na vida de uma pessoa, pois,  a mesma cultura que constrói um indivíduo é a mesma que é reproduzida por ele, fato esse que permite concordar com a seguinte afirmação de Skinner  (2003, p. 456): “Uma cultura, então, em seu sentido mais amplo, é enormemente complexa e extraordinariamente poderosa”.
            Entre as muitas manifestações culturais existentes é relevante enfocar, no contexto da atual pesquisa, a significação que a religião imprime à vida do ser humano, no sentido de que é através dela, ou da transcendência, conforme afirma Doff, apud Oliveira, I. A. (2006, pgs. 4 e 5) que a relação do homem com Deus é viabilizada.
            De acordo com o credo adotado, no entanto, são propostas explicações a respeito do mundo, da vida após a morte, sendo que,  conforme Valério (2006, p. 5) esse fenômeno é comum a todo sistema religioso.
Dessa forma é possível entender que é com base nessas soluções e explicações propostas nos credos religiosos  que se constroem os rituais, os agrupamentos de pessoas que compartilham da mesma fé e outros importantes elementos norteadores da conduta do indivíduo devoto, conforme ressalta Libânio apud Oliveira, I. A. (2006. pgs. 5 e 6):  A crença em um ou vários poderes superiores faz com que o ser humano organize-se em grupos e em instituições (templos/igrejas), crie certos atos concretos, rituais e símbolos, bem como regulamente os atos de sua vida”.
                Este relato demonstra que, embora a maioria das religiões cultive a crença em  algo imaterial, sempre existe uma aplicação da mesma ao contexto objetivo, o que pode ser observado na interação com outro indivíduo, com objetos  do ambiente físico ou até com a natureza. Refletindo sobre esse aspecto é relevante conhecer alguns sistemas religiosos citados por Valério (2006, pgs.15 e 16):


As religiões panteístas... são então o resultado direto da Psicogênese Religiosa. A Intuição-Mística ao produzir a Espiritualidade, resulta  numa percepção da subordinação da natureza à Causalidade, de modo que todos os eventos parecem estar sob a influência  ou mesmo determinação do invisível. Todas as religiões monoteístas se baseiam... em livros sagrados condensáveis em volume único, e este livro tem um peso dogmático ao qual os textos politeístas não podem ser comparados... eles [...] determinam como as pessoas devem se comportar de modo a obter a meta existência ditosa. [...] As [...] ateístas... prescindem da ideia de deuses controladores do Universo, pois das divindades que em geral reconhecem, nenhuma delas têm poder sobre a natureza fundamental das coisas, nem criaram ou destruirão o Universo.

            Essas colocações permitem compreender que as diferentes religiões contribuem para a formação de indivíduos bastante distintos em seu modo de pensar e conduzir-se sobre e com o meio circundante, o que indica o quão complexas podem ser as relações estabelecidas entre eles.
  
  A ESCOLA E O PROBLEMA DA ACEITAÇÃO DAS DIFERENÇAS

De acordo com ferreira, (2000, p. 281), a escola – instituição educacional enfocada no presente trabalho -  é um estabelecimento público ou privado onde é ministrado o ensino coletivo. tal definição remete a imagem de um agrupamento de pessoas que estão expostas a um processo de aprendizagem construído sob condições semelhantes, ao menos em termos de ambiente físico e quadro de funcionários.
para uma melhor compreensão da importância dessa instituição é necessário mencionar o papel da escola, o qual, segundo rego apud aquino (1998, p. 50), é assim definido: a tarefa inerente e principal de toda estrutura educacional, especialmente a escola, é a de promover o desenvolvimento e a aprendizagem do ser humano nas diferentes dimensões: sociais, cognitivas, emocionais e motoras”
            para que esse desenvolvimento ocorra de forma saudável e significativa é necessário, no entanto, que a escola disponha de um ambiente facilitador do processo de aprendizagem, o qual inclui  espaço físico, materiais como carteira, livros, quadro, etc, e até mesmo as relações entre os indivíduos inseridos nesse local.
é exatamente  esse o local no qual os pais ou outros responsáveis depositam a confiança de que seus filhos obterão conhecimentos que os qualifiquem para uma vida de qualidade, como afirma rossini (2001, p. 44): “a família de hoje conta muito com a escola [...] na formação das crianças e dos jovens”.
devido à sobrecarga de trabalho, muitas vezes os pais não disponibilizam  tempo suficiente para o processo educativo de seus filhos e, assim, passam a atribuir à escola grande parte da responsabilidade com relação à formação desses indivíduos.
no entanto, é importante que os pais estejam atentos à ideologia professada,  de forma implícita ou não, por essas instituições educativas. paulo freire apud mizukami  (1986, p. 96), manifesta um alerta com relação a essa temática quando diz que essas instituições constituem um espaço social no qual a educação formal é um subsistema de um sistema maior, sendo necessário entender como o poder  se constitui na sociedade e a serviço de quem está atuando para compreendê-las de fato.
ou seja, muitas vezes a instituição que deveria promover a aprendizagem de todos está, em contrapartida, atrelada aos interesses da classe dominante da sociedade, pois como afirma marchesi (2006, p. 3), é difícil existir um sistema educacional justo numa sociedade profundamente desigual.
diante disso, surge uma contradição: o local escolhido para a construção da educação formal de indivíduos com diferenças em termos  físico, sócio-econômico, pátrio, étnico, cultural, religioso, entre muitos outros, está servindo, prioritariamente,  apenas aos interesses de uma parte dessa clientela.
é necessário, então, que a escola não apenas conheça as discriminações atreladas à conduta de seus profissionais e também de seus alunos, as quais dificultam  o relacionamento entre eles, mas  questione a fundamentação dessas concepções e trabalhe em prol da construção de uma educação para todos, uma vez que as diferenças coexistem e, de acordo com aquino (1998, p. 128), não podem ser negadas.
 aquino (1998, p. 107) também relata uma ilustração que demonstra a necessidade de uma maior reflexão a respeito de algumas divergências que podem se apresentar na realidade educacional:

Imagine o leitor dois adolescentes, alunos da 70 série de uma escola pública: Anne e Beto. Anne, filha de um casal de israelitas. Beto só conhece a mãe, que veio do litoral baiano onde foi abandonada pelo companheiro, os pais de Anne fazem questão de educá-la na tradição e religião judaicas. Quanto ao Beto, acompanha a mãe nos rituais de candomblé. Agora, dentro do horário escolar, soou o final do recreio e os alunos estão subindo para as classes. Beto e Anne, contudo, não os acompanham: devem dirigir-se para a biblioteca. É hora da aula de religião e eles não se enquadram em nenhum dos dois grupos, o católico ou o evangélico. Assim, passarão essa hora na biblioteca onde, talvez, possam ler a Constituição Brasileira de 1988 que, em seu artigo 5, garante que ninguém pode sofrer tratamento desigual por motivo de religião.
Embora este tema esteja sendo bastante enfocado atualmente, é importante lembrar que isso não significa que o ideal da aceitação das diferenças esteja sendo alcançado, pois, conforme Baibich (2006, p. 2) essa aceitação tem sido manifesta apenas  no nível teórico. Tal afirmação está melhor explicitada abaixo:
Teoricamente, estamos todos de acordo; sabemos como agir de forma politicamente correta” (grifo do autor) quando perante a possibilidade de crítica e, na intimidade, exercer todo nosso preconceito. Em nosso país, que é tido pelo imaginário mundial e por si mesmo como um paraíso de mesticaqem, a hipocrisia do não questionamento suficiente no que tange às diferenças, que são muitas, tem permitido a manutenção e o agravamento do silêncio que fala em favor do preconceito.  A não-pluralidade na educação é apenas uma das formas de preservação do grande tapete da “democracia racial” que esconde a falta de democracia real.”
            Diante dessa questão, é possível dizer que embora exista o conhecimento das diferenças, o sistema educacional vigente ainda não desenvolveu as habilidades necessárias para atuar democraticamente em relação a elas, conforme afirma Patto (1997, p. 313): “Em outras palavras, embora os alunos sejam diferentes, são avaliados pelo mesmo padrão, e são salientadas as qualidades, positivas ou negativas, com relação a essa dimensão do comportamento”.
É urgente, portanto, a necessidade de realizar uma educação para a democracia na escola, o que, de acordo com Benevides apud Aquino (1998, p. 158), inclui: “enraizar hábitos de tolerância diante do diferente ou divergente, assim como o aprendizado da cooperação ativa e da subordinação do interesse pessoal ou de grupo ao interesse geral, ao bem comum”( grifo do autor). 
           
  PRINCÍPIOS RELIGIOSOS DIFERENTES NA ESCOLA

            Entre as muitas diversidades existentes na sociedade atual, é fundamental considerar, para esta pesquisa, aquelas concernentes ao aspecto religioso no interior da instituição escola.  Sendo esse o ambiente no qual muitos indivíduos passam o maior tempo de suas vidas, é evidente que eles têm vários comportamentos  que revelam, de uma forma ou de outra, suas posições a respeito de suas crenças.
Esse fato é confirmado por Oliveira, I. A. (2006, p.2) quando diz que “representações e  manifestações de religiosidade, seja por meio de sinais ou práticas religiosas, estão presentes no cotidiano escolar, expressas pelos educandos em suas falas, em seus textos e em seus desenhos e que demarcam a sua história de vida cultural”.
E é por essa razão que a religião não pode ser ignorada nesse contexto, mas deve ser enfocada, conforme afirma Marchesi (2006, p18), a partir de uma abordagem sociológica e científica que permita uma maior compreensão dos valores, crenças, costumes, rituais etc de um determinado grupo cultural. Dessa forma, pode-se criar um espaço no qual alunos e professores de credos diferenciados compartilhem informações a respeito do assunto, o que contribuirá para aumentar o interresse pelo conhecimento que o outro pode oferecer e  oportunizará o desenvolvimento da valorização dos indivíduos implicados nesse processo.
Ao invés de silenciar a respeito das religiões, sob a justificativa do famoso jargão “religião não se discute”, deve haver na escola, conforme o autor citado anteriormente, uma abertura para o diálogo sobre as diferentes religiões.
Isso não significa, no entanto, tentar “converter” os indivíduos a um determinado credo, mas sim, esclarecer as diferenças entre as crenças existentes na instituição de ensino, propiciando um acréscimo aos conhecimentos culturais de todos os envolvidos nesse processo de ensino-aprendizagem.
   Um bom exemplo de que essa iniciativa pode ser produtiva está no relato abaixo de Bencini  (2006, p. 5)  a respeito de uma iniciativa pedagógica que reconheceu a importância dessa discussão sobre religião durante a aula:

 ‘Não quero desenhar nem ouvir falar em orixás’ (grifo do autor), reclamaram alguns ... na aula de Ciências de Maria Cecília. O preconceito religioso é outro desafio a ser enfrentado na escola. Algumas crianças não queriam participar dessa etapa do projeto. Durante essa difícil tarefa, o aluno Kaled Abidu El Carim Abou Nassif, libanês e muçulmano, pediu espaço para contar a versão da religião de Maomé para a criação do mundo. Como a cultura islâmica está em evidência, os colegas estavam cheios de perguntas. Depois dos orixás, anjos e Alá, os alunos conheceram histórias de Tupã e tiveram contato com as lendas indígenas. ‘Estão vendo? Não somos e não precisamos ser todos iguais’, disse a professora, explicando que conhecer é muito diferente de convencer – ( grifos do autor).
Dessa forma é possível afirmar que entender a origem e a significação dos diversos credos, bem como o grau de envolvimento dos indivíduos com suas respectivas concepções  religiosas contribui para a melhor convivência com o diferente na escola.  
  
A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E A SUA RELAÇÃO COM AS
DIFERENÇAS DO ALUNO

Dentre as inúmeras condições que poderiam ser abordadas para enfocar as situações que mais interferem na interação com o diferente, a relação professor-aluno foi  escolhida,  devido  a relevância dessa interação para a construção de conhecimentos no interior de uma instiuição escolar.
Muito embora atualmente exista uma polêmica em torno da figura do professor e sua possível substituição – ainda que parcial - por computadores, de uma forma geral, ele ainda ocupa uma posição de destaque em sala de aula, sendo considerado, conforme  Simon (1998, p. 52), como alguém que “continua tendo uma grande centralidade no processo educacional”. Isso mostra que ele exerce um controle bastante significativo sobre a forma como o aluno percebe a disciplina ministrada, bem como sobre a aprendizagem dos conteúdos ensinados.
A respeito deste último aspecto — influência do sujeito que ensina na aprendizagem do discente - Drouet (2002, p. 218) coloca:


Em 1964, nos Estados Unidos, Robert Rosenthal e Lenore Jacobson fizeram uma pesquisa sobre o assunto. Avisaram aos professores de primeiro grau que iriam aplicar um teste de QI nas crianças, revelando alguns nomes bem-sucedidos e outros mal-sucedidos. Porém esses nomes foram escolhidos ao acaso. Voltaram oito meses depois para ver os resultados. Os alunos indicados como capazes tinham progredido mais do que os outros. Os ditos incapazes não tiveram progresso algum. Ainda mais os professores descreveram os primeiros como mais inteIigentes mais felizes e mais ajustados; os ‘incapazes’ (grifo do autor) como pouco interessados, menos curiosos e desajustados. Isso mostra que, depois de acreditarem em um resultado absolutamente falso eles se incubiram, por seu comportamento em classe, de fazer a ‘previsão’ (grifo do autor) dos pesquisadores dar certo.

           
Esse relato demonstra que as expectativas do professor com relação ao aluno interferem significativamente na forma como ele lida com este último. Muitas vezes, o professor não conhece os motivos pelos quais ele, assim como muitos outros indivíduos na sociedade, agem de forma discriminatória em relação a algumas pessoas.
 É, portanto, imprescindível um estudo a respeito das representações que esse profissional possui em relação ao alunado sob seus cuidados. De acordo com Rego apud Aquino (1998, p. 52), este campo ainda constitui um universo pouco conhecido e, por isso, a autora chama a atenção para a necessidade de investigá-lo:


Conhecer melhor a realidade dos educadores significa também, no nosso entender, compreender seu pensamento, suas crenças, hipóteses, concepções e princípios explicativos. Os professores têm conhecimentos e idéias (baseados na sua experiência de vida como aluno e profissional) que, quando revelados, podem oferecer interessantes perspectivas para a pesquisa educacional assim como pistas e subsídios na busca de novos modos de ação junto a eles.

           
Encarando a realidade pedagógica dessa forma é possível fugir da atitude imediatista de atribuir a um sujeito a culpa pelos insucessos educacionais. Mesmo diante da realidade de que existem muitos profissionais que fracassam em sua missão de ensinar, não seria justo atribuir-lhes a responsabilidade por esse resultado de forma direta, sem antes analisar a formação que eles tiveram tanto profissional como pessoalmente.
            Falando em desenvolvimento profissional, a autora citada acima, Rego apud Aquino (1998, p. 52), denuncia a forma como acontece a formação deficitária do professor nas academias de estudo:

Sabemos que na maior parte das vezes a tradição vigente nos cursos de formação é justamente a de privilegiar a transmissão de um grande volume de informações, normalmente desarticuladas entre si, pouco significativas e até contraditórias com a pretensão de que no futuro desempenho da profissão o professor consiga tomar decisões adequadas, saiba justificá-las e dê conta de todas as variáveis que se entrelaçam nas situações cotidianas de ensino-aprendizagem. Soma-se a isso a quase inexistência de programas de formação em serviço, que deveriam garantir um espaço permanente de reflexão da prática do professor, revelando a teoria que está por trás de sua ação e o seu processo de construção do conhecimento, abordando ainda, de forma crítica, as relações e contribuições da teoria à prática pedagógica.  

As críticas apresentadas acima revelam que, muito embora a educação já tenha alcançado muitos avanços, ainda permanecem nesses cursos algumas características da abordagem tradicional do ensino, a qual preconiza como foco da intervenção do educador a obtenção do conhecimento sem a consideração da  realidade da atividade docente, ou seja, das limitações impostas pelas condições de trabalho e, especialmente, pelo sujeito a quem se destina esse conhecimento. 
Saviani apud Mizukami(1986, p. 8) afirma que a abordagem tradicional do ensino pressupõe que o papel do professor se caracteriza pela garantia de que o conhecimento seja conseguido, independentemente do interesse e vontade do aluno, o qual, por si só, talvez, nem pudesse manifestá-lo espontaneamente e, sem o qual, suas oportunidades de participação social estariam reduzidas.
            Diante dos muitos problemas  existentes nos cursos  realizados para o desenvolvimento dos professores, problemas esses que estão diretamente ligados às dificuldades que o corpo docente enfrenta na prática cotidiana, é relevante considerar um dos principais desafios do educador atual: as diferenças do corpo discente.
As diferenças podem ser étnicas, culturais, religiosas, etc, e,  independentemente de sua natureza, exigem do educador habilidades diversas para dispensar aos educandos um tratamento que revele compreensão e respeito a essas idiossincrasias, sem, no entanto, superestimar ou subestimar quaisquer características de determinados alunos em detrimento de outras de alguns educandos.
 Seria necessário fornecer a esses profissionais uma orientação sobre a importância do conhecimento da realidade do aluno, para, a partir dela, construir o processo de ensino. Esse fato é confirmado por Leal ( 2006, p. 45) quando diz:


Mas se um professor; dentro da sala de aula, tiver consciência da história de vida do seu aluno e puder tratá-lo como um sujeito único, capaz de aprender, certamente terá mais possibiildade de auxiliá-lo a encontrar sua própria forma de assimilar o conhecimento.
           
A citação exposta anteriormente, a qual continha o pensamento de Rego apud Aquino (1998, p. 52)  sobre o conhecimento da realidade do professor, viria também a calhar se fosse dita de forma inversa, ou seja, conhecer a realidade do aluno implica também entrar em contato com as suas diferentes opiniões, preferências, crenças etc.  A partir do momento em que o docente adquire esse conhecimento é importante que ele não se limite apenas a isso, mas ainda procure aceitar os alunos com as diversidades com as quais se apresentam, ajudando-os, assim, a desenvolverem a aceitação deles próprios.

A PERCEPÇÃO DO PROFESSOR EM RELAÇÃO AO ALUNO
         No contexto aqui enfocado, é relevante considerar que as atitudes do profissional em questão para com os educandos é bastante influenciada pelas representações ou  percepções que ele foi construindo a respeito das diferenças dos outros seres humanos ao seu redor.
            Este fator — percepção – parece contribuir de forma significativa para a dificuldade ou facilidade do professor em aceitar as diferenças no contexto escolar, visto que, no ato de perceber, de acordo com Braghirolli et all (2001, p.75),  ocorre uma seleção de aspectos do meio ambiente, pois não são todos os estímulos desse meio percebidos simultaneamente pela mesma pessoa. A mesma autora ainda acrescenta:O estado psicológico de quem percebe é um fator determinante da percepção, seus motivos, emoções e expectativas fazem com que perceba, preferencialmente, certos estímulos do meio.”
            Conforme visto no primeiro capítulo deste trabalho, tais concepções são construídas sócio-culturalmente, ou seja, o ambiente físico e social ao qual o indivíduo esteve sujeito durante a sua vida desencadeou tal seleção de estímulos do meio.
A forma como o ser humano se posiciona diante de determinadas situações, ou seja, o que ele sente, pensa etc, frente aos estímulos que recebe, depende, conforme Moreira e Medeiros (2007, p. 29), da  história de aprendizagem desse sujeito. O que o autor quer dizer é: não nascemos com esses medos, mas eles foram construídos. Tal como a aprendizagem desses medos, a rejeição a determinados costumes,  a comportamentos de algumas pessoas,  a crenças, etc, também são aprendidos.
Piletti (2001, p. 82)  acrescenta que agrado ou desagrado dependem da percepção que temos das pessoas e vão influir na forma do nosso relacionamento com elas.
Com base nessas informações é possível considerar o quanto a percepção das pessoas, no caso em destaque, a percepção dos professores, pode interferir na sua relação com o aluno e, consequentemente, no processo de aprendizagem deste último. Corroborando com essa idéia Patto (1997, p. 313-314) afirma:

Evidentemente, o processo de percepção do professor não é arbitrário, e o fato de muitos professores perceberem os mesmos alunos como bons ou maus indica que não se trata de apreciação inteiramente deformada por fatores pessoais (embora, em muitos casos específicos, tais fatores possam ser predominantes). Apesar disso, há professores que conseguem obter um rendimento muito maior, não apenas de um ou vários alunos, mas de todas ou quase todas as suas classes. Aparentemente, tais professores conseguem  perceber e estimular as qualidades positivas de seus alunos, de tal forma que acabam por provocar a sua acentuação. De outro lado, existem professores que, embora especificamente competentes em sua disciplina, são incapazes de obter produção satisfatória. Essa diferença poderia ser explicada como resultante de uma seleção perceptual (grifo do autor) específica: alguns tendem a observar e salientar os aspectos positivos, enquanto outros tendem a salientar os aspectos negativos das pessoas com que estão em contato.
Com base nessa afirmação da autora, considera-se fundamental para uma prática docente de qualidade, a identificação das representações que podem beneficiar ou prejudicar essa prática, buscando modificar aquelas que podem contribuir para um relacionamento deficitário com o aluno e um consequente prejuízo da construção de conhecimentos por parte deste último.
  
O PROFESSOR EM CONTATO COM AS DIFERENÇAS RELIGIOSAS DOS ALUNOS
            Marchesi (2006, p. 59) escrevendo sobre o papel do professor na diminuição das discriminações no contexto educacional, defende que a compensação das desigualdades não é apenas responsabilidade da administração educacional, nem das escolas concretas, mas sim de cada professor que pode também desenvolver seu compromisso com a justiça através da forma como se dirige ao aluno em sala de aula e diante de manifestações de diversos credos na instituição que ensina.
            Essa ênfase no papel do professor na construção da cidadania de seus alunos pode ser justificada pela colocação de Britto (1989, p. 102):

Quando nos referimos ao desenvolvimento da práxis educativa, consideramos o professor como parte essencial no relacionamento escolar. Suas atitudes, a linha filosófica pela qual se orienta, a ideologia que professa, a corrente psicológica em que se apóia, todos esses elementos influenciam, sobremaneira, o processo da educação.

Isso ocorre porque esse profissional é a figura de autoridade que permanece mais diretamente ligada ao alunado na escola. Apesar de não ser o único responsável pelo crescimento do aluno na instituição aqui enfocada, é ele que transmite informações a respeito da disciplina que o corpo discente necessita apreender para obter os diferentes graus escolares.Por essa razão, é fundamental compreender a concepção que os professores possuem a respeito das divergências religiosas dos alunos, considerando a grande influência que esses educadores exercem na sala de aula. Sobre essa influência Andrade (2006, p. 1) escreve:
  
Sabemos que um professor não limita sua influência a conselhos técnicos, não é apenas guia do aluno através do labirinto da sua própria existência. Graças à ação persuasiva de sua presença deslinda as contradições íntimas: explica cada um a cada um, apontando os rumos decisivos, O convívio do professor e do aluno, não depende exclusivamente da qualidade de ensino, mas do encontro entre pessoas. Neste diálogo franco, nesta interação professor-aluno, neste ‘encontro entre pessoa’ (grifo do autor) estão presentes os valores, os conceitos e preconceitos observados em sua época.
           Nesse encontro entre pessoas do qual o autor fala, é fundamental que haja respeito em relação às diferenças pessoais de cada um dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Convém afirmar que é imprescindível que o professor conheça suas percepções a respeito do educando – crenças, valores, etc - podendo, a partir dessa consciência, trabalhar seus preconceitos referentes a esses aspectos e, consequentemente, distinguir acertos e falhas no lidar com o aluno, sabendo que estas últimas podem ser modificadas.
            A fim de analisar melhor essa questão, é relevante citar um estudo de Oliveira, I. A.  (2006, p. 10), realizado no Espaço Educativo Populari, que desenvolve a alfabetização de pessoas jovens, adultas e idosas em comunidades periféricas e hospitalares na cidade de Belém, e em comunidades rurais ribeirinhas do Estado do Pará. Alguns dados dessa pesquisa, segundo  Oliveira, I. A. (2006, p. 10) serão descritos abaixo:


Em relação à religiosidade na prática pedagógica, todos os educadores entrevistados afirmaram não utilizar a religiosidade como tema gerador nem como matéria de conhecimento. Mas, pelo fato de ser expressa pelos educandos durante o desenvolvimento das aulas, acaba interferindo no seu planejamento e na realização de suas atividades didáticas preparadas e trabalhadas no ambiente educativo.

           
É interessante notar dois aspectos dessa citação: a inexistência da inclusão da religião no conteúdo programático e a necessidade de um  rearranjo das atividades a serem realizadas durante as aulas devido à demanda religiosa do alunado.
A religião é um tema que, apesar de polêmico, carece de uma atenção especial por parte dos educadores, uma vez que as manifestações religiosas também são um fenômeno passível de estudo e as instituições de ensino, enquanto propiciadoras da construção de conhecimentos não podem se abster dessa tarefa. Já com relação à reprogramação das atividades docentes devido ao interesse religioso dos alunos, é importante colocar que essa atitude é bastante enriquecedora para o processo educativo, uma vez que valoriza as necessidades de conhecimento dos alunos, favorecendo a construção de uma aprendizagem significativa para eles.Entretanto, é relevante ainda mencionar os seguintes relatos também referentes ao estudo apontado anteriormente, segundo Oliveira, I. A. (2006, p.13)

Face aos conflitos marcados pela intolerância e pela visão etnocêntrica de mundo, os educadores afirmaram encontrar dificuldades pedagógicas para lidar com o tema, exigindo deles inovação pedagógica, ousadia metodológica e busca de coerência entre a prática de educador e os princípios éticos da educação libertadora. [...]  O educador Márcio mencionou enfrentar conflitos em sala ao trabalhar o tema religiosidade: ‘pela minha própria história de vida, pelos meus confiitos pela descrença. Mas eu tentei, eu tentei o máximo que pude. Eu estava ali com princípios humanistas’. Ele enfatizou que conflitos emergiram em função de terem os educandos uma visão etnocêntrica, ou seja, por considerarem a sua religião a melhor. Eles afirmavam, por exemplo: ‘o meu Deus é melhor’, ‘Sai daí, a minha religião pode salvar; é melhor’, ‘o teu Deus está morto’. A educadora Lúcia também afirmou vivenciar conflitos por questões religiosas em sua turma e que, inclusive, esse fator interferiu no afastamento de alguns alunos das aulas (grifos do autor).
           Diante da dificuldade de enfocar o tema religião, devido às diversidades de crenças tanto dos alunos quanto dos professores, é necessário colocar a importância da intervenção do professor no sentido de que este deve manter uma postura respeitosa com relação às manifestações dos diferentes credos, mas, além disso, deve também esclarecer aos educandos a possibilidade de entrar em contato com os diferentes credos, sem, contudo ridicularizá-los, como fizeram alguns alunos do estudo abordado.                     
            No entanto, essa atitude é altamente complexa porque envolve a desmistificação dos preconceitos dos educandos e dos próprios educadores em relação à temática abordada. E esse fato é confirmado por Piletti (2001, p.81), quando diz que, assim como o aluno, o professor não é neutro, sem sentimentos, mas é uma pessoa que possui simpatias, antipatias, amor, ódio, medo, timidez, etc.
            Porém, o que talvez seja mais perigoso na atitude do professor diante das diversas crenças dos alunos é o fato de que, se aquele profissional não reconhece -  como reconheceram alguns educadores da pesquisa referida acima -  e não procura modificar seus preconceitos a respeito dos comportamentos religiosos do alunado, a relação entre eles poderá ficar comprometida, conforme ressalta Andrade (2006, p. 23):
            Com base nessas afirmações, é possível entender que é bastante pertinente que os educadores passem a aprofundar os seus conhecimentos sobre a temática religiosa, bem como suas implicações na relação com o aluno que, enquanto ser único, poderá surpreendê-los com seus comportamentos inusitados.


  CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho apresentado mostrou a importância das percepções dos professores em relação às diferenças religiosas dos alunos, sendo enfatizado o quanto as concepções e preconceitos docentes interferem na interação entre ambos os atores do processo de ensino-aprendizagem.
Além disso, durante a monografia foram expressas algumas posturas dos profissionais do ensino, as quais, ora demonstravam coerência com os princípios da construção da cidadania na escola, ora também permitiam a compreensão de que ainda existem muitas posturas que devem ser reformuladas.
Entre as representações dos docentes a respeito do assunto –  religiões diversas do alunado –  foram mencionadas situações que evidenciaram a grande dificuldade daqueles em lidar com as crenças deste, como: relatos de sentimentos conflituosos diante dos comportamentos religiosos diferenciados, além de considerações preconceituosas a respeito do aluno que freqüenta vários centros espirituais, ou não vai à Igreja com freqüência, sendo estes discentes considerados como inferiores a ele – educador – e aos demais alunos por causa dessa postura para com o mundo espiritual.
Por outro lado, também foram encontrados relatos de atitudes assertivas por parte de educadores que procuraram utilizar o fenômeno religião como objeto de estudo, podendo mostrar aos discentes que existe uma grande distinção entre o conhecimento sobre diferentes credos e a “conversão” a uma religião.
Foi possível entender, a partir desse trabalho, que a forma como o professor encara as divergências entre as crenças dos seus alunos interfere significativamente no relacionamento entre eles, pois, conforme o que foi exposto ao longo dessa obra,  quando há compreensão e aceitação, obtém-se um clima favorável aos questionamentos sobre as diferentes religiões, o que contribui para o enriquecimento
cultural de todos os sujeitos dessa relação. E, por outro lado, quando há manifestação de preconceitos diante das diferenças, ocorre a marginalização do
 aluno.
Apesar da pequena quantidade de pesquisas encontradas sobre o tema, foi possível elencar sugestões para a prática do educador diante das diversas crenças dos alunos, as quais incluem, primordialmente, o reconhecimento e a análise de si mesmo, enquanto um indivíduo que possui valores, crenças, desejos e outras características que atuam significativamente na constituição de suas representações sobre o corpo discente.
Diante disso, é relevante acrescentar que essas sugestões apontam para a necessidade de um estudo mais aprofundado a respeito de diferenças religiosas no contexto escolar, a fim de que outras alternativas possam ser construídas para a melhor convivência nesse ambiente tão significativo para a constituição do ser humano atual.

Kézia Stéfani  









  

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ALUNOS COM PROBLEMAS EMOCIONAIS E DE CONDUTA

 CONDUTA DISRUPTIVA
Ø      Conduta disruptiva é qualquer conduta que atrapalha a ordem e a disciplina na escola.

PROBLEMAS DE CONDUTA EMOCIONAL
Ø     São problemas que se referem às situações pessoais do sujeito e  que, considerando o contexto educacional, podem interferir na sua aprendizagem.

PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO
    Baixa auto-estima;
    Dificuldades de relacionamento social;
    Falta de compreensão e controle  de sua conduta 
PROBLEMAS AFETIVOS
  Os alunos podem se sentir habitualmente desprotegidos;
 Dificuldade de relações sociais positivas;
 Não confiam em si próprios;
 Não assumem seu ponto de vista.


ALUNOS QUE MALTRATAM 

Maus-tratos:
 Conduta violenta que causa  danos relevantes a outros alunos.  Não é uma atividade ocasional.   Condutas de perseguição física e/ou psicológica.

Tipos de maus-tratos:
  Físicos, verbais, exclusão social, virtual, e mistos (físico e verbal)
Efeitos nas Vítimas:
     Baixa auto-estima, ansiedade, quadros depressivos e dificuldade no desenvolvimento  da aprendizagem.

ATITUDES QUE PODEM CONTORNAR ADVERSIDADES NA ESCOLA

      Manter expectativas realistas, mas elevadas;
       Compreender as possíveis causas e efeito da conduta disruptiva;
       Colaboração entre os professores sobre o que fazer;
       Transmitir confiança aos alunos;
      Acordo com os alunos sobre normas de funcionamento;
       Preparação cuidadosa da aula;
       Planejamento de atividades variadas;
       Atenção aos diferentes ritmos de aprendizagem;
   Preparo psicológico e profissional; 
      Manter a calma independentemente de qualquer circunstância ;
   Avaliar com a turma o conflito ocorrido;
   Tentar antecipar o conflito e pensar na resposta adequada.
   Reflexão posterior ao acontecimento;
 Falar individualmente com cada aluno conflituoso

ADMINISTRAÇÃO DAS DISPUTAS

 Intervenção do professor: Agilidade na administração do conflito; Constatação  e pontuação hábil das opiniões;
 Mediação: Pedir calma e permitir que ambas as partes dêem   suas razões;
           Buscar razões sem culpar ninguém;
 Não se precipitar no julgamento;
       A intervenção da família é de suma importância para a mudança de comportamento dos alunos ditos disruptíveis.
     Os problemas familiares afetam decisivamente os alunos.
       A escola e o professor devem propiciar o envolvimento da família nas ações que visem o desenvolvimento da aprendizagem.


Nando Fernandes