quinta-feira, 24 de novembro de 2011



EDUCAÇÃO DE FILHOS E A PREVENÇÃO DE PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO

Por que há dúvidas quanto à educação de filhos? De acordo com Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002) existem muitas dúvidas quanto a esse assunto devido a uma crise iniciada na década de 70, quando o modelo repressor de educação dos filhos foi bastante criticado e começou a dar lugar à era da permissividade.  Diante desse fato, a falta de limites passou a ser comum nas famílias, o que gerou uma verdadeira confusão na vida de muitos pais.
Ainda de acordo com os autores acima, esse novo movimento trouxe prejuízos que vão desde a dificuldade de gerenciar o comportamento das crianças em sala de aula até a delinqüência juvenil.
Diante isso, é notória a exigência de um equilíbrio entre os dois modelos (repressor e permissivo) a fim de que a sociedade possa se desenvolver de forma saudável. Face a essas considerações, surge a indagação: como educar os filhos? Primeiro passo: Conhecer como o comportamento humano, segundo, desenvolver habilidades para incentivar os comportamentos adequados e extinguir os inadequados.

O QUE INFLUENCIA O COMPORTAMENTO DE SEU FILHO?
         
O ambiente interfere significativamente na forma como as pessoas se comportam. No contexto em questão, ele não é apenas o local onde vivemos, com plantações, água, etc., mas, conforme Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002) ambiente é qualquer evento no universo capaz de afetar o indivíduo. Ou seja, o próprio corpo, a família, a comunidade, o lugar em que se vive, o trabalho, etc.
Esse conhecimento é fundamental para compreensão de como o comportamento funciona. Muitas vezes nos deparamos com pessoas mal humoradas e dizemos: “Ah, fulano está assim porque não tomou café hoje”. Ou podemos dizer: “Você não viveu metade do sofrimento que eu já passei e só vive reclamando!”
         Nessas frases temos exemplos de ambientes: o comentário a respeito da pessoa que não se alimentou a ausência do café, a nossa experiência vivida. Tudo isso de alguma forma pode alterar a maneira de sentir, pensar, agir, falar, ou seja, altera o comportamento.



TIPOS DE COMPORTAMENTO HUMANO

Respondente: reação imediata e involuntária a um estímulo do ambiente, segundo Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002); Exemplo: espirro após aspirar um pouco de poeira. Operante: conforme Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002), é a atuação de uma pessoa sobre o meio, modificando-o.
É voluntário. É adquirido e mantido por meio da conseqüência que produz.  Exemplo: Leitura de um livro. Só poderemos ler se tivermos adquirido habilidade para isso anteriormente. Para que continuemos a ler é necessário que essa atitude nos traga benefícios que atendam à nossa necessidade no momento.
Esses benefícios podem ser elogios, compreensão do rótulo de produtos em um supermercado durante uma compra, etc. Ou seja, essas conseqüências podem aumentar a probabilidade de que uma pessoa volte a ler. Diante dessas descrições é possível compreender que as circunstâncias que ocorrem antes e depois de um comportamento podem alterá-lo de maneira significativa, o que exige bastante cuidado quanto às atitudes que tomamos frente aos mesmos.

 
MÉTODOS CORRETIVOS DE UM COMPORTAMENTO

Segundo Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002).  Punição é Procedimento no qual uma conseqüência ruim é apresentada após determinado comportamento, fazendo com que este desapareça ou diminua de freqüência. Ela pode ocorrer de duas formas. Após o comportamento desagradável, acrescenta-se, imediatamente, algo ruim. Exemplo: após um mau comportamento a criança recebe uma “surra”.
Após o comportamento desagradável, retira-se, imediatamente, algo de bom para a pessoa. Exemplo: Um adulto retira um brinquedo da criança após um comportamento desagradável dela. O uso da punição pode parecer bastante útil, mas há muitas razões que sugerem que esta seja utilizada com cautela e, se possível, evitada:
Geralmente só funciona na presença do punidor. Deve ser aplicada imediatamente após a atitude indesejada. Seu uso muito freqüente e indeterminado pode anular o seu efeito. Por ter efeito imediato (o comportamento indesejado é instantaneamente paralisado), aumenta a chance de o punidor continuar punindo cada vez mais a criança;
Funciona como modelo de agressão às pessoas. Se ela for suave, o comportamento tende a reaparecer de forma mais rápida. Produz efeitos emocionais indesejáveis – raiva, medo, isolamento. Pode comprometer comportamentos reflexos como: suor frio, palidez, batimentos cardíacos acelerados;
Pode eliminar outros comportamentos que estejam ocorrendo paralelamente ao que está sendo punido. Exemplo: A criança que enquanto brinca com os colegas sempre acaba brigando e recebendo reclamações de adultos pode não só parar de brigar, mas parar de brincar com as outras crianças também.
Pode haver afastamento da criança em relação ao punidor. A punição sozinha não garante que o comportamento adequado apareça. Para que isso ocorra, enquanto se pune um comportamento é necessário reforçar (incentivar) outro comportamento em seu lugar. No entanto, se os pais ainda optarem por utilizar esse método, devem considerar algumas situações, como quando:

a) o comportamento é muito freqüente, em caso afirmativo dificilmente esse método será eficaz
b) existe perigo para a própria criança ou para outras pessoas. Verifique a possibilidade de introduzir esta criança em um ambiente seguro.
c) Eles já tentaram todos os outros procedimentos. Caso seja realmente necessário o uso da punição, é preferível se utilizar da punição tipo II, que traz menos efeitos colaterais que a tipo I. É importante lembrar que existem outros métodos para estabelecer limites aos filhos, conforme pode ser visto adiante.

ALTERNATIVAS QUANDO O FILHO SE COMPORTA MAL
      
   Incentivar comportamentos diferentes daquele que se quer eliminar. Exemplo: se seu filho quer brincar num local que não é adequado, diga que ele não vai pelo motivo que você considera importante, mas se comprometa a brincar com ele. Modificar o ambiente do seu filho. Verifique o que pode estar causando o mau comportamento e procure remover-lo. Retirar a criança da situação agradável – atentar para o que mais ela sentirá falta. Exemplo: Se a criança está impedindo que outras crianças se divirtam, retire-a do local de diversão e leve-a para onde não tenha acesso a brincadeiras. Deixar de recompensar o comportamento inadequado. Exemplo: se a criança está dando língua, ignore, e passe a elogiar outra pessoa que esteja fazendo algo agradável no momento.

EXTINÇÃO DE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS

Consiste em ignorar comportamentos que se deseja eliminar Exige que os pais observem o que acontece antes e depois do comportamento para identificação das condições que favorecem o aparecimento do mesmo;
Exige paciência dos pais, pois, inicialmente, quando um comportamento antes muito reforçado passa a ser ignorado, este aumenta e varia sua forma. Somente depois da ausência prolongada de reforço (incentivo- tudo o que aumenta a chance do comportamento voltar a ocorrer), a atitude desprezada passa a diminuir gradativamente até desaparecer.
Lembre-se que nem toda atitude ruim da criança pode ser ignorada. Por exemplo, em caso de roubo não se concebe a atitude de um pai que permanece inerte como se nada estivesse acontecendo. É necessário dizer ao filho que a atitude está errada, orientar e ordenar que o objeto roubado deve ser devolvido e certificar-se de que seus comandos foram cumpridos.

ORIENTAÇÕES FUNDAMENTAIS

Elogie seu filho, abrace-o, beije-o, imediatamente, quando se comportar de forma adequada, seja um bom exemplo, aceite todos os sentimentos de seu filho comunique-se com seu filho de maneira positiva. Exemplo: “Eu posso imaginar como você está se sentindo”. Promova a auto-estima dele. Elogie as qualidades dele, dê a ele e a si mesmo o direito de errar. Orientação Bíblica. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho não se desviará dele”. Pv 22.   

ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR A CRIANÇA E O ADOLESCENTE A JESUS

Desde a mais tenra idade apresente-lhe os conteúdos bíblicos de forma ilustrada, envolvente, ao nível de conhecimento dele (EBD e outros). Ouça com atenção suas manifestações a respeito da bíblia e regras da Igreja. Seja exemplo do que você quer seu filho aprenda.
Identifique e remova fontes de desmotivação quanto aos trabalhos da Igreja. Procure conversar com os líderes de crianças e adolescentes para verificar o que pode ser feito para tornar as atividades da igreja mais atrativas, facilite a associação entre habilidades de seu filho e atividades da Igreja. Arrisque-se a mudar, pois não existe vida sem erros, pois viver é ser imperfeito, é tirar os ensinamentos trazidos através das quedas, é levantar-se e continuar caminhando.

Kézia Stéfani 




REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. F. Bíblia Sagrada: A Bíblia da Mulher. Ed 2ª, São Paulo. Mundo Cristão e Sociedade Bíblica do Brasil, 2003.
OLIVEIRA, S. C. [et al.]. Compreendendo seu Filho: Uma análise do comportamento da criança. Belém (PA). Paka-Tatu,(2002).



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