EDUCAÇÃO DE FILHOS E A PREVENÇÃO DE
PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO
Por que há dúvidas quanto à educação de filhos? De acordo com Oliveira,
Neves, Silva e Robert (2002) existem muitas dúvidas quanto a esse assunto
devido a uma crise iniciada na década de 70, quando o modelo repressor de
educação dos filhos foi bastante criticado e começou a dar lugar à era da
permissividade. Diante desse fato, a
falta de limites passou a ser comum nas famílias, o que gerou uma verdadeira
confusão na vida de muitos pais.
Ainda
de acordo com os autores acima, esse novo movimento trouxe prejuízos que vão
desde a dificuldade de gerenciar o comportamento das crianças em sala de aula
até a delinqüência juvenil.
Diante
isso, é notória a exigência de um equilíbrio entre os dois modelos (repressor e
permissivo) a fim de que a sociedade possa se desenvolver de forma saudável. Face a essas considerações,
surge a indagação: como educar os filhos? Primeiro passo: Conhecer como o
comportamento humano, segundo, desenvolver habilidades para incentivar os
comportamentos adequados e extinguir os inadequados.
O QUE INFLUENCIA O
COMPORTAMENTO DE SEU FILHO?
O ambiente interfere significativamente na forma como as pessoas
se comportam. No contexto em questão, ele não é apenas o local onde vivemos,
com plantações, água, etc., mas, conforme Oliveira, Neves, Silva e Robert
(2002) ambiente é qualquer evento no universo capaz de afetar o indivíduo. Ou
seja, o próprio corpo, a família, a comunidade, o lugar em que se vive, o
trabalho, etc.
Esse conhecimento é fundamental para compreensão
de como o comportamento funciona. Muitas vezes nos deparamos com pessoas mal
humoradas e dizemos: “Ah, fulano está assim porque não tomou café hoje”. Ou
podemos dizer: “Você não viveu metade do sofrimento que eu já passei e só vive
reclamando!”
Nessas frases temos
exemplos de ambientes: o comentário a respeito da pessoa que não se alimentou a
ausência do café, a nossa experiência vivida. Tudo isso de alguma forma pode
alterar a maneira de sentir, pensar, agir, falar, ou seja, altera o
comportamento.
TIPOS DE COMPORTAMENTO HUMANO
Respondente: reação imediata e involuntária a um estímulo do
ambiente, segundo Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002); Exemplo: espirro após
aspirar um pouco de poeira. Operante: conforme Oliveira, Neves, Silva e Robert
(2002), é a atuação de uma pessoa sobre o meio, modificando-o.
É voluntário. É adquirido e mantido por meio da conseqüência que
produz. Exemplo: Leitura de um livro. Só
poderemos ler se tivermos adquirido habilidade para isso anteriormente. Para
que continuemos a ler é necessário que essa atitude nos traga benefícios que
atendam à nossa necessidade no momento.
Esses benefícios podem ser elogios, compreensão do rótulo de
produtos em um supermercado durante uma compra, etc. Ou seja, essas
conseqüências podem aumentar a probabilidade de que uma pessoa volte a ler. Diante
dessas descrições é possível compreender que as circunstâncias que ocorrem
antes e depois de um comportamento podem alterá-lo de maneira significativa, o
que exige bastante cuidado quanto às atitudes que tomamos frente aos mesmos.
MÉTODOS CORRETIVOS DE UM
COMPORTAMENTO
Segundo Oliveira, Neves, Silva e Robert (2002). Punição é
Procedimento no qual uma conseqüência ruim é apresentada após determinado
comportamento, fazendo com que este desapareça ou diminua de freqüência. Ela
pode ocorrer de duas formas. Após o comportamento desagradável, acrescenta-se,
imediatamente, algo ruim. Exemplo: após um mau comportamento a criança recebe
uma “surra”.
Após o comportamento desagradável, retira-se,
imediatamente, algo de bom para a pessoa. Exemplo: Um adulto retira um
brinquedo da criança após um comportamento desagradável dela. O uso da punição pode
parecer bastante útil, mas há muitas razões que sugerem que esta seja utilizada
com cautela e, se possível, evitada:
Geralmente só funciona na presença do punidor. Deve ser aplicada
imediatamente após a atitude indesejada. Seu uso muito freqüente e
indeterminado pode anular o seu efeito. Por ter efeito imediato (o
comportamento indesejado é instantaneamente paralisado), aumenta a chance de o
punidor continuar punindo cada vez mais a criança;
Funciona como modelo de agressão às pessoas. Se ela for suave, o
comportamento tende a reaparecer de forma mais rápida. Produz efeitos
emocionais indesejáveis – raiva, medo, isolamento. Pode comprometer
comportamentos reflexos como: suor frio, palidez, batimentos cardíacos
acelerados;
Pode eliminar outros comportamentos que estejam ocorrendo
paralelamente ao que está sendo punido. Exemplo: A criança que enquanto brinca
com os colegas sempre acaba brigando e recebendo reclamações de adultos pode
não só parar de brigar, mas parar de brincar com as outras crianças também.
Pode haver afastamento da criança em relação ao punidor. A punição
sozinha não garante que o comportamento adequado apareça. Para que isso ocorra,
enquanto se pune um comportamento é necessário reforçar (incentivar) outro
comportamento em seu lugar. No entanto, se os pais ainda optarem por utilizar
esse método, devem considerar algumas situações, como quando:
a) o comportamento é muito freqüente, em caso afirmativo
dificilmente esse método será eficaz
b) existe perigo para a própria
criança ou para outras pessoas. Verifique a possibilidade de introduzir esta
criança em um ambiente seguro.
c) Eles já tentaram todos os outros procedimentos. Caso seja
realmente necessário o uso da punição, é preferível se utilizar da punição tipo
II, que traz menos efeitos colaterais que a tipo I. É importante lembrar que
existem outros métodos para estabelecer limites aos filhos, conforme pode ser
visto adiante.
ALTERNATIVAS QUANDO O FILHO SE COMPORTA MAL
Incentivar comportamentos diferentes
daquele que se quer eliminar. Exemplo: se seu filho quer brincar num local que
não é adequado, diga que ele não vai pelo motivo que você considera importante,
mas se comprometa a brincar com ele. Modificar o ambiente do seu filho. Verifique
o que pode estar causando o mau comportamento e procure remover-lo. Retirar a criança da situação agradável
– atentar para o que mais ela sentirá falta. Exemplo: Se a criança está
impedindo que outras crianças se divirtam, retire-a do local de diversão e
leve-a para onde não tenha acesso a brincadeiras. Deixar de recompensar o
comportamento inadequado. Exemplo: se a criança está dando língua, ignore, e
passe a elogiar outra pessoa que esteja fazendo algo agradável no momento.
EXTINÇÃO DE COMPORTAMENTOS
INDESEJÁVEIS
Consiste em ignorar comportamentos que se deseja eliminar Exige
que os pais observem o que acontece antes e depois do comportamento para
identificação das condições que favorecem o aparecimento do mesmo;
Exige paciência dos pais, pois, inicialmente, quando um
comportamento antes muito reforçado passa a ser ignorado, este aumenta e varia
sua forma. Somente depois da ausência prolongada de reforço (incentivo- tudo o
que aumenta a chance do comportamento voltar a ocorrer), a atitude desprezada
passa a diminuir gradativamente até desaparecer.
Lembre-se que nem toda atitude ruim da criança
pode ser ignorada. Por exemplo, em caso de roubo não se concebe a atitude de um
pai que permanece inerte como se nada estivesse acontecendo. É necessário dizer
ao filho que a atitude está errada, orientar e ordenar que o objeto roubado
deve ser devolvido e certificar-se de que seus comandos foram cumpridos.
ORIENTAÇÕES FUNDAMENTAIS
Elogie seu filho, abrace-o, beije-o, imediatamente, quando se comportar
de forma adequada, seja um bom exemplo, aceite todos os sentimentos de seu
filho comunique-se com seu filho de maneira positiva. Exemplo: “Eu posso
imaginar como você está se sentindo”. Promova a auto-estima dele. Elogie as
qualidades dele, dê a ele e a si mesmo o direito de errar. Orientação Bíblica. “Ensina
a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho não se
desviará dele”. Pv 22.
ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR A
CRIANÇA E O ADOLESCENTE A JESUS
Desde a mais tenra idade apresente-lhe os conteúdos bíblicos de
forma ilustrada, envolvente, ao nível de conhecimento dele (EBD e outros). Ouça
com atenção suas manifestações a respeito da bíblia e regras da Igreja. Seja
exemplo do que você quer seu filho aprenda.
Identifique e remova fontes de desmotivação quanto aos trabalhos
da Igreja. Procure conversar com os líderes de crianças e adolescentes para
verificar o que pode ser feito para tornar as atividades da igreja mais
atrativas, facilite a associação entre habilidades de seu filho e atividades da
Igreja. Arrisque-se a mudar, pois não existe vida sem erros, pois viver é ser
imperfeito, é tirar os ensinamentos trazidos através das quedas, é levantar-se
e continuar caminhando.
Kézia
Stéfani
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. F. Bíblia Sagrada: A Bíblia da Mulher. Ed 2ª,
São Paulo. Mundo Cristão e Sociedade Bíblica do Brasil, 2003.
OLIVEIRA, S. C. [et al.]. Compreendendo
seu Filho: Uma análise do comportamento da criança. Belém (PA). Paka-Tatu,(2002).

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