A IMPORTÂCIA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA PARA ESCOLA DOMINICAL
Se a educação tem por fim a formação do homem sócio-histórico, a construção de sujeitos ativos em sua condição humana, as práticas pedagógicas desenvolvidas na escola devem ser pautadas na concepção democrática, em que docentes discentes, coordenadores e membros da comunidade, tenham plena participação na elaboração de projetos educacionais, a fim de conduzirem com êxito o processo de ensino e aprendizagem.
Dentro desse contexto, a ação administrativa educacional deve romper com as concepções centralizastes, as quais colocam a formação do aluno em um plano secundário. Essa práxis perpassa por uma visão tradicional em que os vínculos inexistem e toda e qualquer decisão, segundo Paro (2008, p.13), é construída dentro de um ambiente desfavorável à:
[...] a democratização das relações [...]a organização e o funcionamento efetivo da instituição escola. Trata-se, portanto, das medidas que vem sendo tomadas com a finalidade de promover a partilha do poder entre dirigentes e professores, pais, funcionários e de facilitar a participação de todos os envolvidos nas tomadas de decisões relativas ao exercício das funções da escola com vistas à realização de suas finalidades
Com o pensamento exposto, percebemos que o principal meio de se concretizar na escola uma gestão democrática nasce com a participação ativa de todos, principalmente no que se refere a tomada de decisões e no funcionamento organizacional das instituições de ensino. Isso possibilitará um melhor conhecimento dos objetivos e metas que as instituições educacionais desejam atingir.
Nessa perspectiva a comunidade passa a conhecer os mecanismos de funcionamento estruturais da escolar, surgindo assim um clima favorável para a aproximação entre professores, gestores, pais e alunos. Nesse caso a escola deve levar isso em consideração, fazendo com que a prática pedagógica propicie condições para que os alunos se façam sujeitos ativos dentro do processo de construção da aprendizagem.
Logo, a escola passará a exercer o papel de motivadora, tornando-se um lugar desejável pelo educando, e para que isso aconteça é importante, segundo Teixeira (1961, p. 9), “cuidar da cultura humana, concebida como a forma adequada do desenvolvimento intelectual e social do homem em relação á sua civilização”.
Nutrindo essa assertiva, a escolar deve desfazer seus “muros” os quais a impede de caminhar em conjunto com a comunidade, pois só assim haverá sentido para sua existência. Por isso é importante destacar segundo Bordignon e Gracindo, ( 2002, p. 151-152).a expressividade das relações democráticas as quais são construídas dentro de uma perspectiva aberta em que,
o poder não se situa em níveis hierárquicos, mas nas diferentes esferas de responsabilidade, garantindo relações interpessoais entre sujeitos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Essa diferença dos sujeitos, no entanto, não significa que um seja mais que o outro, ou pior ou melhor, mais ou menos importante, nem concebe espaços para a dominação e a subserviência, pois estas são atitudes que negam radicalmente a cidadania. As relações de poder não se realizam na particularidade, mas na intersubjetividade da comunicação entre os atores sociais. Nesse sentido, o poder decisório necessita ser desenvolvido com base em colegiados consultivos e deliberativos.
Com o que foi citado, entendemos que a dinâmica do ambiente escolar se constrói a partir de uma articulação entre seus atores. Esses formam um corpo cujos membros necessitam estar articulados de forma intrínseca. E nesse sentido deve haver uma conscientização por parte dos educadores sobre a importância da participação mútua entre discentes, docentes, gestores e comunidade na tomada de decisões para que o objetivo maior da escola, que é a formação integral do aluno, seja atingido.
Mas para que isso ocorra é necessário haver mudanças na forma como alguns gestores vêem essa relação. Portanto os paradigmas conteudistas, fechados e resistentes à qualquer tipo de mudança necessitam de uma superação, para que a escola construa sujeitos autônomos e críticos, participantes ativos dos fazeres que se desenvolvem no ambiente intra e extra-escolar.
Face às considerações, é fundamental enfatizar que a EBD, Escola Bíblica Dominical, também possui um corpo administrativo cujos membros, Pastores (Diretor geral) Coordenadores (Gestores Pedagógicos), professores, alunos e comunidade, devem atuar no campo da gestão democrática para que não haja lacunas no processo de desenvolvimento organizacional do departamento em foco.
Diante do pensamento exposto, entendemos que a dinâmica da EBD, também se constrói a partir da articulação entre os seus pares. Logo, o principal meio de assegurar ou de concretizar nesse espaço uma gestão democrática é viabilizar a participação de todos no processo de tomada de decisões. Isso acarretará um melhor conhecimento dos objetivos e das metas que as Escolas Bíblicas desejam atingir.
Para tanto, atuar como educador na EBD deve ser algo enriquecedor para a vida moral e espiritual do cristão. Por esse motivo urge a necessidade de estarmos sempre refletindo sobre uma prática que traga significado para esse departamento, uma práxis aberta e dialógica para que possamos construir uma aprendizagem satisfatória.
A Bíblia exemplifica essa realidade quando coloca em relevo o planejamento, o qual deve ser construído no âmbito grupal e isso nos permite atuar fora do achismo, das especulações e do vazio, evitando o descarrilamento comum em quase todas as esferas do departamento de educação cristã, (EBD). Por isso Jesus nos recomenda planejarmos nossas ações a fim de que alcancemos êxito na construção do nosso fazer pedagógico.
Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? (Lucas 14:28 – 31)
Com essa mensagem, fica claro que o ensino perpassa pela sistematização rigorosa, preparando-nos melhor para atuarmos como agentes do reino de Deus. Por isso, Moisés, quando conduzia o povo à terra prometida, entendeu o quanto a falta de planejamento foi prejudicial para o inicio do seu ministério.
Porém, Jetro, sogro desse grande líder, idealizou um plano, que segundo especialistas na área de gestão escolar é um verdadeiro modelo para o sucesso em muitas empresas da atualidade. O texto explicitado em Êxodo (18:13-27), mostrara aquilo que já apontava para o real conceito de gestão democrático/administrativa,
“No dia seguinte Moisés sentou-se para julgar as questões do povo, e o povo ficou diante dele desde a manhã até à tarde. Vendo tudo o que fazia pelo povo, o sogro de Moisés disse: "Que estás fazendo com o povo? Por que apenas tu ficas aí sentado, com tanta gente parada diante de ti desde a manhã até à tarde?" Moisés respondeu ao sogro: "É que o povo vem a mim para consultar a Deus. Quando têm alguma questão, vêm a mim para que decida e lhes comunique os decretos e as leis de Deus".
O sogro de Moisés disse-lhe: "Não está bem o que estás fazendo. Acabarás esgotado tu e este povo, que está contigo. É uma tarefa pesada demais. Não poderás executá-la sozinho. Agora escuta-me: vou dar-te um conselho, e que Deus esteja contigo.
Tu deves representar o povo diante de Deus, e levar perante ele os problemas. 20 Esclarece-os a respeito dos decretos e das leis, e dá-lhes a conhecer o caminho a seguir, e o que devem fazer. Mas procura entre todo o povo homens de valor, que temem a Deus, dignos de confiança e inimigos da extorsão, e estabelece-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Eles julgarão o povo em casos comuns.
A ti levarão as questões de maior importância, decidindo eles mesmos as menores. Aliviarás assim o peso do cargo e eles te ajudarão a carregá-lo. Se assim procederes, serás capaz de manter-te de pé, quando Deus te der ordens, e o povo poderá chegar em segurança ao seu destino".
Com o que foi colocado, podemos afirmar que a EBD deve seguir uma organização rigorosa, para que o pleno desenvolvimento do aluno seja atingido. Isso deve estar pautado nos princípios democráticos, cuja articulação dos gestores tenha como princípio a democratização em todas as tomadas de decisões. Nesse caso a Escola Bíblica Dominical passará a ter uma atuação mais consistente e promissora em toda sua estrutura.
Para tanto é fundamentla encarar a funcionalidade desse departamento como algo que não se diferencia em muito das escolas seculares, pois a partir do momento em que se trabalaha com o ensino, devemos pensar no rigor, na pesquisa e no planelajar, elementos fundantes para a organização e aplicabilbidade do conhecimento.
Nesa perspectiva vale ressaltar que o papel do educador da EBD é bastente semelhante ao do educador secular e isso envolve várias vertentes. Primeiro, ele tem como princípio mediar a aprendizagem, segundo, ele como professor deve ser reflexivo e pesquisador e por fim deve sempre está envolvido com o humano, fator esse que o remete a um nível de responsabilbidade social bastante elevado.
É por essa razão que a Esola Dominical deve ser um departamento articulado, cuja organização perpasse por uma hierárquica com membros intrinsecamente ligados com uma perspectiva democrática de trabalho, pois segundo Paro (2008, p.11), é importante que se construa “relações [...] que envolvam a organização e o funcionamento efetivo da instituição escola”.
Assim diante dessas siscunstancias, a prática pedagógica desenvolvida em nossas EBD ´s, quando assumem uma visão democrática modifica positivamente todo processo formativo, transformando os educandos em cidadãos conscientes de sua atuação no mundo, sujeitos ativos de sua condição humana, capaz de refletir a agir diante de um contexto social em que a inversão de valores se torna cada vez mais palpável.
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